Furando filas – 3° lugar no ICMS-RJ

Fala galera! Sempre sonhei em postar um depoimento e esse dia finalmente chegou! Já vou avisando: a sensação de passar é inenarrável! Mas existem outras coisas que são narráveis e tentarei colocá-las aqui para ajudá-los a sentir essa mesma sensação.

Nome: Fabrício Massena Petruccelli
Idade: 23 anos
Naturalidade: Rio de Janeiro
Trajetória:
Colégio Martins (1998 a 2004)
Colégio Naval (2005 a 2007)
Escola Naval (2008 a 2011)
LS Concursos (2013)
ICMS-RJ (2014)

Minha vida no mundo dos concursos começou extremamente cedo, mais precisamente aos 10 anos, quando prestei concurso para o Colégio Militar do Rio de Janeiro, Colégio de Aplicação da UERJ e Colégio Pedro II. Não fui classificado em nenhum! No CMRJ eram 90 vagas e eu fui o 97°, no CAP-UERJ eram 40 vagas e eu fui o 50° e no Pedro II, que muitos diziam ser o mais fácil dos três, não passei. Como podem ver, cada prova tem uma história. Enfim, vida que segue!

Aos 14 anos, na oitava série, prestei concurso para o Colégio Naval, EPCAR, CMRJ, CEFET e CEFETEQ. Todos que conversavam comigo diziam que era muito difícil passar na primeira tentativa e que já era pra eu estar preparado pra fazer no ano seguinte. Isto nunca entrou na minha cabeça. O que acontece é que, muitas das vezes, nós mesmos nos colocamos limitações.

Parece clichê, mas o primeiro passo para a aprovação é acreditar em si. Na preparação, algo fundamental foi a ajuda dos alunos mais experientes. Percebi que evoluí muito quando comecei a acompanhar o ritmo de estudo deles. Portanto, uma dica: tenha um grupo de amigos com o mesmo objetivo que o seu. Isto ajudará bastante nas horas de cansaço e estresse. A minha turma no Martins era muito forte, mesclando alunos experientes e novatos, como eu. Eles não queriam saber se era a primeira ou a quarta vez que o aluno estava prestando o concurso, queriam que todos fossem aprovados naquele ano.

Aí vai outra dica: tente planejar seu estudo para que você passe o quanto antes. Na área fiscal, vejo o tempo mínimo de 1 ano pra quem trabalha e 8 meses pra quem não trabalha. Você pode até aceitar passar com mais tempo, mas tente estar bem preparado o quanto antes. Caso você fique mais tempo na preparação (o que é normal), vai ser porque ainda não conseguiu passar, mesmo estando "top". Voltando aos 14 anos (quem me dera!), na preparação para o Colégio Naval, tive estudar como adulto as matérias, de forma que furasse a fila de muitos candidatos experientes. Graças a Deus, consegui passar no Colégio Naval, CEFET e CEFETEQ.

Do período na Marinha, acho interessante citar um caso: estava no terceiro ano do Colégio Naval e após a prova do terceiro bimestre, o Comandante responsável pelo Departamento de Ensino me chama, juntamente com mais 8 pessoas. O recado era o seguinte: ele iria colocar o professor de Matemática para dar aulas extras para a gente, pois estávamos com muito risco de ficar reprovados. Derivada ainda não conseguia entrar na minha cabeça e estava com a média abaixo de 5 na matéria. Não era normal aquilo acontecer, o Comandante queria realmente nos ajudar. Como acredito que nada acontece por acaso, resolvi dar o máximo nas aulas extras e aprender a matéria de vez. Conseguimos passar naquele ano! No ano seguinte, quando fomos para a Escola Naval, começamos a aprender o tão temido "Cálculo", sendo as matérias iniciais derivada e integral.

Como eu tinha aprendido bem no ano anterior e havia começado a gostar da matéria, fui um dos únicos a tirar 10 na primeira prova. Portanto, aí vão mais duas dicas: goste de todas as matérias! Se você colocar na sua cabeça que não gosta ou, pior, não suporta tal matéria, dificilmente você irá bem nela, pois não conseguirá estudar em alto nível. A outra dica é: não existe "sou bom em x e péssimo em y". Quem irá dizer no que você irá bem ou mal será a sua preparação. Caso você se prepare direito para tal matéria, você será bom nela. Mais uma vez, não se coloquem limites!

Vamos a parte mais interessante, que é o período de preparação para o Fisco. Quando estava no quarto ano da Escola Naval, sempre rolava o assunto sobre o que iríamos fazer depois de formado. Conversava muito com meu grupo nos trabalhos de sala de aula e entramos em consenso que valia a pena estudarmos para concurso público. Havia diversos motivos para aquilo, mas os principais são: flexibilidade, salário e qualidade de vida. Após me formar, resolvi dar início aos estudos. Conversei com um amigo que havia passado para o ISS-RJ e ele me aconselhou comprar 4 livros: Direito Administrativo Descomplicado, Direito Constitucional Descomplicado, Contabilidade Básica (Ricardo Ferreira) e Direito Tributário (João Marcelo Rocha).

Como a maioria dos iniciantes, li um livro de cada vez. Demorei um tempo considerável e acho que o custo-benefício não foi tão bom. Isso é algo que temos sempre que ter em mente: o custo-benefício. Após a leitura, resolvi entrar num curso telepresencial com todas as matérias da área fiscal inclusas. Procurei e achei o curso Damásio. Comecei a fazer, porém, após 4 meses, a filial onde assistia as aulas fechou! Como disse anteriormente, nada na vida acontece por acaso. Vejo alguns problemas em assistir aulas em cursos telepresenciais: tempo de deslocamento, alguns professores medianos e alto custo. O mesmo vale para cursos presenciais, porém esses ainda tem o problema da interrupção da aula pelos outros alunos. Nessa época, faltava pouco tempo para começar a Viagem de Instrução, porém, mesmo assim, consegui assistir algumas vídeo-aulas indicadas, merecendo destaque a do Alexandre Lugon (Direito Tributário).

Fui para a Viagem de Instrução e não consegui tocar em quase nada durante 6 meses devido a diversos motivos: balanço do navio, cansaço, tarefas, etc.
Voltei da viagem em Dezembro de 2012 com algo em mente: estava na hora! Iria estudar até passar pra Fiscal. Neste momento, acho que já havia saído o edital para o ICMS-SP com 800 vagas! Era a minha chance! Peguei os resumos feitos antes da viagem, comprei dois livros que acho interessantíssimos para a preparação na área do ICMS ( "Curso Básico de ICMS" e "Exercícios Comentados", ambos do José Rosa), sendo o segundo mais voltado para a Legislação do Estado de SP, assisti mais algumas vídeo-aulas (nessa época não tinha noção sobre o custo-benefício do "pdf") e tentei fechar o máximo da matéria antes do concurso. Fui para prova zerado em Estatística (já havia visto na Escola Naval, mas não me lembrava de quase nada), Direito Civil, Direito Empresarial e Auditoria.

Além disso, estudei como iniciante, tentando fechar todas as matérias, um de cada vez, achando que iria revisar tudo no final tranquilamente. Consegui acertar 60% da prova, porém ocupei a 1600°, aproximadamente. Pensei bastante sobre a preparação e vi que não estava no caminho certo. Conversando com amigos, surgiu o depoimento do Diego Marra (5° colocado no ICMS-SP, com 8 meses de estudo, partindo do zero. Resolvi pesquisar sobre a consultoria e vi que seria algo que se encaixaria no meu perfil. Fiz a entrevista inicial com meu consultor (Leonardo Rangel) e comecei a consultoria. Gostei muito do método, pois sabia quais matérias, quais materiais, quais páginas deveria estudar por dia. Tendo metas diárias que formavam a meta semanal. Isto é algo que parece fácil de ser feito, mas não é! Antes gastava muito tempo perguntando sobre materiais, trocava-os sem fechar a matéria, etc.

O planejamento é muito importante na preparação! A teoria deve ser intercalada com revisões e exercícios. Isto é algo fundamental e vi que não precisava me preocupar, pois a consultoria já havia feito o "trabalho sujo" para mim. Além disso, caso eu não estudasse num dia, havia aquele sentimento de ter que compensar no final de semana para fechar a meta semanal. Outra dica que gostaria de dar é: não sejam contestadores! Vejo que muita gente demora a passar por ter o prazer de contestar aulas e teorias dadas. Não somos doutrinadores e não nos interessa corrigir, nem ensinar ninguém. Caso a banca cobre certo assunto de um jeito, saiba aquele jeito e pronto! Você irá passar bem mais rápido assim!

Comecei a perceber que estava evoluindo bastante nos estudos, conseguindo cada vez estudar com mais qualidade. Trabalhava e estudava, sendo que não estudava durante o período de expediente. Saía do trabalho às 16 hrs e estudava das 17 as 23 hrs todos os dias. Nos finais de semana, estudava até fechar a meta semanal. O que eu fazia por fora das metas? Muitas questões do tecconcursos! Outra dica: não se prendam à teoria. Atentem para aos exercícios. Você não precisa saber como explicar certa matéria. A única coisa que você precisa saber é se está certa ou errada a afirmativa. Uma pergunta que a gente se faz quando está estudando é: vale a pena fazer resumos ou não? Cada um tem um método de estudo. O meu era o seguinte: imprimia os materiais "pdf" (só utilizei as vídeo-aulas do Borba de Leg Trib do RJ) e sublinhava o que achava importante. Fazia anotações na própria folha impressa, caso fosse necessário. Desta forma, quando ia revisar, pegava a pasta da matéria e ia vendo o que tinha sublinhado/anotado em cada folha. É claro que isso demanda bastante tinta e folha de papel, mas não encare isto como despesa e sim como investimento. Resumir tudo demanda muito tempo e, como eu disse anteriormente, queria passar rápido!

Vocês devem ter como foco um concurso, feito por uma banca específica (no meu caso, ICMS-RJ e FCC, respectivamente). No entanto, o grande diferencial de estudar para a área fiscal é a quantidade de oportunidades! Fazer outras provas do FISCO é muito importante para pegar a chamada "experiência de prova". Foi com essa idéia que me inscrevi para a prova da SEFA-PA, que seria realizada em Novembro de 2013. Continuei com a minha preparação para o ICMS-RJ, porém nas duas últimas semanas, fiz metas extras de Legislação Tributária do Pará. Como muitos já sabem, a prova veio fora dos moldes da área fiscal. No entanto, consegui ir bem, sendo eliminado somente em Atualidades por uma questão. Não vou mentir e dizer que não fiquei chateado, é claro que fiquei! Mas transformei essa decepção em combustível para a prova do ICMS-RJ, que já estava com o edital publicado. E acho que isto foi algo comum entre os aprovados do ICMS-RJ 2014.

Conversando com outros aprovados, descobri que alguns deles também tinham sido eliminados no Pará. Na época da decepção, alguns eliminados em Atualidades combinaram de impetrar um Mandado de Segurança. Resolvi que isto só iria atrapalhar meus estudos para o RJ e não entrei nesta barca.
O grande diferencial da consultoria consiste nas metas pós-edital. O estudo planejado foi primordial para a minha aprovação. Tirei férias no trabalho e me dediquei inteiramente ao concurso. Estava com sangue nos olhos! Aquela era a minha chance! É claro que não estava seguro, pois isto é algo normal entre os concurseiros. Mas sabia que tinha que dar o meu máximo para ficar bem classificado, pois o ICMS-RJ iria ser briga de cachorro grande. Além disso, me apeguei muito à estratégia traçada pela LS para a hora da prova. A ordem das questões e o controle do tempo foram primordiais neste ICMS-RJ 2014. A P2 foi pura estratégia!

Não achem que saí da prova comemorando por ter ido muito bem. Quando meu pai me buscou após as provas e me perguntou se tinha ido bem, respondi a mesma coisa nos dois dias: "Foi a prova mais difícil da minha vida". E realmente foi! Graças a Deus eu estava preparado para encará-las. Portanto, caros concurseiros, se preparem!!! Cito as palavras do atual governador do Estado do Rio de Janeiro na cerimônia de posse, realizada ontem no Palácio Guanabara: "Como legado, deixaremos outro concurso ainda este ano". Não sei se vocês perceberam, mas a oportunidade baterá à porta de cada um ainda este ano. Cabe a vocês agarrá-la!!!

Bons estudos!!!

Fabrício Massena Petruccelli